
Violação
De olhos perdidos
Tremo em frente às suas mãos ausentes, tão presentes.
Garras brutais que dilaceram os meus seios doridos
Tenazes em brasa que penetram nas minhas coxas gementes
Tornos apertados que imobilizam os meus braços enfraquecidos.
Mãos odiosas que aniquilam a minhas forças já doentes.
De punhos fechados
Sussurro um grito de raiva que nunca será ouvido
De punhos fechados
Ensaio a dança heróica da impotência
De punhos fechados
Invoco o ódio cego da vergonha.
Lassas, as pernas cedem à liberdade imaginada
E o meu corpo funde-se na terra viva, húmida e florida.
Quero ficar ali, para sempre agrilhoada.
A força dos Aesir abandonou a minh’ alma esmorecida.
De braços abertos
Olho o infinito e não vejo o céu
De braços abertos
Clamo por um Deus surdo
De braços abertos
Sinto o último afago do vento
De braços abertos
Entrego-me ao abismo.







#1 by Ivani Medina on 12 de Julho de 2012 - 0:05
Fortíssimo. Imagino essa brutalidade apenas como um começo sem fim. Ecos de ódio e repulsa para toda uma vida. Parabéns Letitia.
#2 by letitiamorgan on 13 de Julho de 2012 - 21:15
Muito obrigada pela leitura e comentário, Ivani.