Apresentação de Lov

Photo in My Modern Met

Madrid, 9 de junho de 2012

Nunca, antes, pensei escrever um diário. Sempre considerei que um vampiro é a própria memória, seja para a felicidade ou para a tristeza. Os factos, os nomes, os cheiros, os grupos a que pertenci, os vampiros por quem me apaixonei, todos os que odiei, os lugares por onde passei, todos os humanos que seduzi e matei por prazer, tal como aqueles, a quem retirei a vida, por pura necessidade de alimento, tudo e todos estão vivos na minha memória. Todos os tempos, decisões, espaços, acções e seres que gostaria de esquecer estão vivos na minha alma. Jamais poderei esquecer. Posso reviver cada momento da minha vida, sem necessidade de um diário.

Mas, há algumas décadas, comecei a sentir algo estranho, que apelidei de medo, mas não tenho a certeza de que de medo se trate. Este estranho sentimento, encerra em si a vaidade de mostrar aos meus semelhantes e aos mortais, que vivi. Mais, como vivi. Muitas vezes pergunto-me, que sentimento será esse. Não é o medo de morrer, pois sou imortal. Não é o medo de viver no seio dos humanos, pois há centenas de anos que vivo entre eles. Sei tudo sobre eles, principalmente sobre as suas misérias d’ alma. Não é o medo de outras criaturas imortais, pois, há muitos séculos, que cessaram as guerras entre nós. Seja o que for, confunde-me e levou-me a escrever a minha história na forma de um diário.

O meu verdadeiro nome é Lovisa Freja Wetterlund, nasci na cidade de Uppsala, na Suécia, no dia 17 de dezembro do ano de 1488. Os escassos amigos da minha, ou de outra espécie imortal, chamam-me Lov e os mortais com quem convivo, alguns anos de cada vez, chamam-me o nome que eu inventei, para aquele espaço de tempo.

E este é o meu diário. Aqui registarei as minhas histórias. Os humanos que as lerem dirão que são horríveis, arrepiantes e outros epítetos idiotas, próprios da sua espécie. Mas tudo isso é desculpável. Estes seres, não têm capacidade de olhar para dentro de si próprios, nem tampouco descobrirem a sua própria natureza, tão naturalmente monstruosa. Por isso são tão cruéis. Mas há exceções. Apesar disso, não se iludam, caros leitores, não são a maioria. Por muito que vos custe perceber, meus amigos, não há inocentes!

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  1. #1 by Antonio Carlos Muniz Macedo on 10 de Junho de 2012 - 15:46

    Impossível não te seguir Letitia, seus contos sempre são poesia para os meus ouvidos.
    Um forte abraço

    • #2 by letitiamorgan on 10 de Junho de 2012 - 22:00

      António, super obrigada pela leitura e simpatia. Estou a mudar os artigos a pouco e pouco e a habituar-me à nova plataforma.
      Abraços!

  1. Ver! | Blog | Apresentação de Lov

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