O Amor Mortal

O Amor Mortal

Lugo, 4 de abril de 2012

Os mortais existem num imenso vazio, a sua vida é um autêntico labirinto de nada, que não compreendem, nem suportam. Por isso sofrem, pois não toleram essa verdade, uma vez que ela os nega enquanto seres. Então inventam inutilidades, que nada são, e fingem para si próprios que essas invenções são importantes, e dão-lhes nomes, e catalogam-nas; depois, fingem que esses rótulos, que nada são, vão preencher e dar sentido à sua vida vazia.

E, nesta azáfama sem nexo, vivem sem existir, acorrentados aos rótulos que inventaram ao longo dos tempos, silenciosos e solitários acreditam que são felizes. Envolvidos numa enorme angústia travestida de utilidade, convencem-se que fazem opções ao escolherem um símbolo, uma ideia ou um sentimento; não se apercebem que apenas seguem o brilho, o líder ou os preconceitos.

Os mortais dizem amar, elegeram o amor para rei dos sentimentos e cantam-no por todos os cantos. Têm amor para todas as coisas e ocasiões. Mas que palavra é essa que, tentando definir algo tão puro e imaterial, está repleta de normas e regras que matam todo o seu sentido? E nesse caos, entre o sentir e o cumprir, o amor mortal transforma-se num sentimento vazio, frio, obediente às formalidades inventadas pelos homens, tão fúteis e inúteis, pois apenas vão contra a sua própria natureza, a qual não compreendem. O amor mortal é estéril e árido; é um sentimento com demasiados rótulos e apenas serve para preencher alguns vazios do enorme vazio que é a sua vida.

Pobres mortais, tão frágeis e tolos!

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  1. #1 by Pensador Louco on 6 de Julho de 2012 - 12:11

    Amor é, como você mesma disse, um conceito. Não pode ser pesado ou medido, não pode ser visto ou contido. E sendo conceito, é interpretável, dando vazão ás pobres ansiedades dos mortais, somadas aos desejos de controle dos que usam esse conceito como forma de dominação.
    Novamente, como você perfeitamente escreveu, quão tolos são esses reles mortais.
    Adorei o texto.

    • #2 by letitiamorgan on 13 de Julho de 2012 - 21:57

      Muito obrigada pelo teu comentário, meu amigo Pensador!

      Tenho estado mais ou menos ausente e por isso tenho falhado muitos quadradinhos. 😦

      Grande abraço.

  2. #3 by Van on 7 de Julho de 2012 - 23:38

    Oi Letitia

    Quem sente o verdadeiro amor, quem o conhece, não sente este vazio que você descreve.

    Onde falta amor ficam espaços a serem preenchidos, que preenchem com qualquer coisa a que chamam de amor.

    Beijos

    • #4 by letitiamorgan on 13 de Julho de 2012 - 21:55

      Oi, Van, boa noite!

      Peço desculpa pelo atraso na resposta, mas só hoje foi possível.

      Penso que muitas pessoas, senão a grande maioria, apenas acredita que não tem espaços vazios. Por isso têm decepções e são infelizes.

      Beijos e muito obrigada pela visita!

  3. #5 by victor silva on 27 de Janeiro de 2013 - 17:51

    pois é…as vezes pensamos que criamos um reinado na ponta do nariz…pensamos que dominamos nossas rédias incontroláveis…!!!Somos tolos em acreditar que temos completo dominio de tudo que pronunciamos!!!Falamos as coisas,mas poucos sabem interpretar…cada um segue o que acha em sua ideologia falhada e torta!!!e o amor…esse sentimento tão pouco explorado…acaba na raiva e na agonia…é triste,mas é exatamente o que acontece!!!!Sabemos realmente o que é amar??

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